Vale paga US$ 145 milhões por mina que vale 12 vezes mais

A Vale fechou por US$ 145 milhões, a compra da Mineração Apolo, que irá elevar em quase 1 bilhão de toneladas as reservas de minério de ferro da empresa no chamado Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. O negócio, que teve o preço fixado no fim de 2004, num acordo entre as duas empresas, foi extremamente vantajoso para a Vale, que pagou US$ 0,10 por tonelada de reserva medida. Preço infinitamente menor do que o pago, por exemplo, em janeiro deste ano pela Usiminas na compra da mineradora J.Mendes - que saiu por US$ 1,19 por tonelada.

A Anglo American teve um custo ainda mais elevado na compra de parte da mineradora MMX, de Eike Batista: US$ 4,70. Foi o preço que o grupo britânico decidiu arcar para ingressar no País, que representa a quinta maior reserva de minério de ferro do mundo. Além disso, o empreendimento de Eike embute custos de logística, como a construção de um mineroduto para transportar o minério. “O minério de ferro, que ficou com seus preços praticamente estagnados por 20 anos, da década de 1980 a 2000, subiu 380% a partir de 2002 e os ativos minerais acompanham este ritmo”, diz o gerente de dados econômicos do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Antonio Lannes.

Ele diz que a tendência é que minas menores continuem a ser compradas por grandes mineradoras e siderúrgicas. Recentemente, diz Lannes, a Usiminas comprou a maior das minas de pequeno porte - a J.Mendes - para reduzir sua dependência do minério fornecido por terceiros. Outras siderúrgicas estão repetindo essa estratégia. Mas Lannes lembrou que alguns negócios ainda dependem de boa logística para transportar a produção.


NOVAS COMPRAS

Ao anunciar ontem a compra da Apolo, o diretor-executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, disse que a empresa continua atenta a novas possibilidades de compra no Brasil e no exterior. “Esse negócio se iniciou no final de 2004. Celebramos o contrato com a Apolo em 2005 e estamos complementando agora. Todas as áreas que julgarmos de interesse e que estiverem disponíveis para a venda, vamos considerar. Mas não temos nenhuma urgência nisso porque a quantidade de reservas que temos na região é bastante grande e estamos atentos a todas as ocorrências minerais existentes no Brasil”, disse Martins.

A área da Mineração Apolo se estende por dois municípios mineiros, Rio Acima e Caeté, e é vizinha ao Projeto Gandarela, mina também de propriedade da Vale. Com a compra da Apolo, as reservas de Gandarela passarão de cerca de 4 bilhões para 5 bilhões de toneladas de minério de ferro. Segundo Martins, a previsão inicial de produção de Gandarela era de 25 milhões de toneladas anuais para o período de 2011/2012.

“Mas, com a aquisição da Apolo, esse montante deve subir”, afirmou. Ele observou que ainda é muito cedo para estimar o crescimento da produção anual. “Estamos analisando isso ainda”, disse. O total de investimentos previstos para esse projeto é de US$ 2,1 bilhões.

Apolo possui minério em qualidade semelhante ao da mina de Brucutu, uma das principais áreas de extração da Vale, localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo, também em Minas. Martins lembrou que a Mineração Apolo não era uma mineração de ferro, mas de pedras ornamentais, inclusive de turmalina. A descoberta de grandes jazidas de minério e a existência de infra-estrutura logística para transportar o produto facilitaram o negócio.


VIABILIDADE

Segundo Martins, o Brasil tem muito minério de ferro. Mas boa parte está fora da malha logística ou é de baixa qualidade. Hoje, dificilmente se faz um projeto logístico para uma mina com capacidade inferior a 30 milhões de toneladas. A menos que essa mina esteja a 100 quilômetros, no máximo, do litoral. “A combinação de qualidade de minério e logística é o que define a viabilidade de reserva”, diz Martins.

Ainda segundo Martins, Apolo está próxima à infra-estrutura de logística da Vale, o que reduz custos de produção. Ele disse que o aumento de reservas em Gandarela só foi possível por meio de sinergia com outros projetos na região e também devido à infra-estrutura de transporte da Vale.


NÚMEROS

US$ 0,10 por tonelada de reserva medida de minério de ferro foi o preço pago pela Vale na compra da mineradora Apolo, em um negócio de US$ 145 milhões

US$ 1,19 por tonelada de reserva medida foi o preço pago pela Usiminas na aquisição da mineradora J.Mendes, fechada no início de fevereiro por US$ 1 bilhão

US$ 1,38 por tonelada de reserva medida foi quanto pagou a mineradora MMX pela Minerminas, em negócio fechado em janeiro, um negócio de US$ 125 milhões

US$ 3,07 por tonelada de reserva de minério de ferro foi o preço pago também pela MMX na compra da mineradora AVG, em negócio avaliado em US$ 275 milhões

US$ 4,70 por tonelada de reserva medida foi quanto pagou a Anglo American por uma fatia da mineradora MMX, um negócio de US$ 5,5 bilhões anunciado em janeiro

Alessandra Saraiva e Irany Tereza

Fonte: http://www.abin.gov.br/modules/articles/article.php?id=2534


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