Circuito do Ouro

Não há como negar. O Circuito do Ouro é, sem dúvida, sinônimo de história. O século XVIII, período correspondente à mineração do ouro, foi de grande importância para Minas Gerais.

Do ponto de vista histórico, cultural e artístico, este período foi marcante para a consolidação de uma cultura eminentemente mineira. E é o momento, também, em que se começa configurar a formação sóciopolítica do Estado.

Dono de um fabuloso acervo histórico e artístico, o Circuito do Ouro possui dois patrimônios da humanidade:

Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Mas, ao todo, são vinte municípios que constituem esse Circuito: Barão de Cocais, Belo Vale, Bom Jesus do Amparo, Caeté, Catas Altas, Congonhas, Itabira, Itabirito, Mariana, Nova Era, Nova Lima, Ouro Branco, Ouro Preto, Piranga, Raposos, Rio Acima, Sabará, Santa Bárbara, Santa Luzia e São Gonçalo do Rio Abaixo.

A história da região começa com o descobrimento do ouro no final do século XVII, o que deu origem a muitos povoados. Alguns se desenvolveram e foram elevados a vilas, que hoje são as nossas conhecidas cidades históricas. Nessas vilas, foram construídos imponentes sobrados, casas de câmaras e cadeias, chafarizes, singelas capelas e magníficas igrejas, onde pode florescer o talento de artistas como Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho, Manuel da Costa Athaíde, Francisco Viera Servas, Francisco Xavier de Brito, Francisco Lima Cerqueira e José Gervásio de Souza .

Três movimentos retratam a importância histórica do período da mineração e dessa região hoje denominada Circuito do Ouro: a Guerra dos Emboabas - luta de paulistas e “forasteiros” pelo domínio comercial da região; a Sedição de Vila Rica - revolta dos mineradores contra as extorsivas medidas administrativas portuguesas; e a Inconfidência Mineira, que teve a audácia de desejar a liberdade política e econômica da Capitania de Minas Gerais .

Geograficamente, o Circuito do ouro está situado na área denominada Quadrilátero Ferrífero, onde se encontram riquíssimas jazidas minerais. Hoje, uma importante parcela da economia do Estado ali está devido à atividade extrativista, às grandes usinas siderúrgicas, além de três importantes minas de ouro. Dentre as atuais riquezas minerais, está o topázio imperial .

Assim, em decorrência da história da mineração do ouro, os diversos municípios deste circuito guardam verdadeiras relíquias culturais. São museus, igrejas, centros culturais, sítios arqueológicos, fazendas, santuários, casarões, memoriais, trechos da Estrada Real e ricas manifestações da cultura popular .

Os museus encontrados neste circuito estão entre os principais do estado e guardam objetos notáveis e documentos de grande valor. Entre eles, destacam-se: Museu da Inconfidência, Museu do Oratório e Museu de Arte Sacra, em Ouro Preto; Museu do Ouro, em Sabará; Museu do Escravo, em Belo Vale; e Museu de Arte Sacra, em Mariana .

Outros espetaculares monumentos atestam a riqueza histórica e artística dos municípios que integram este circuito. A igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, com obras-primas do Mestre Antônio Francisco Lisboa e do Mestre Athaíde simboliza toda a criatividade e qualidade da arte colonial mineira. Em Sabará, está outra jóia da decoração barroca mineira: a excepcional capela de Nossa Senhora do Ó.

A Catedral da Sé, em Marina, também possui uma das mais preciosas peças de Minas Gerais: um órgão Arp Schnitger, construído em 1701. E a última grande obra do período da mineração do ouro encontra-se em Congonhas: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, com os magníficos passos da paixão e o esplendor das esculturas dos profetas, executados por Aleijadinho .

Este circuito também abriga um rico patrimônio natural. Cachoeiras, matas e inspiradoras paisagens serranas complementam e emolduram a beleza dessa região. São destaques: o Parque Estadual do Itacolomi e o Parque Natural do Caraça. Este último, além de ser uma preciosa reserva pertencente ao Santuário do Caraça, é também um dos maiores bens culturais do Estado .

Tanta beleza para ver ... e muita história para contar. Assim é o Circuito do Ouro .

O Circuito Turístico do Ouro foi certificado pela Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais em 21 de fevereiro de 2005.